Litemia

Litemia. Exame para ver a dosagem do lítio. Serve para evitar a toxicidade e para ver se a dose está na faixa terapêutica. O certo é estar entre 0,6 e 1,2. Abaixo de 0,6 não é terapêutico. Acima de 1,2 é tóxico. Ou seja… Temos que estar no caminho do meio. Evitar passar os limites. E novamente estou na linha de fronteira.

Minha litemia deu 0,2. É pouco. Aumentamos a dose. Vamos ver…

Próxima litemia semana que vem.

Ando bem. Feliz em poder experimentar essa nova sensação de estabilidade. Algumas desvantagens, principalmente por não ver mais flores em algumas pessoas e situações. Mas fazer o quê? Melhor cuidar bem de mim…

Lítio

Pois é…

Fugi, corri pra lá, corri pra cá, ali e acolá, mas ele veio atrás de mim e me pegou.

Pior: estou apaixonada! Pode?

Me deixou com a boca seca, uma sensação estranha de estar fora de meu próprio corpo, se apossou dos meus sentidos, mas me fez bem. Vai ser assim que vou poder decretar daqui a um tempo que sou mesmo bipolar, porque o tal do Lítio só funciona para quem é bipolar.

Vamos aguardar…

E a copa acabou…

Finalmente a copa do mundo acabou para nós porque mesmo com os jogos que ainda faltam nossas vidas voltam ao normal… Nem tenho mais o Maradona para ver e rir… Não me vale nada assistir ao que sobrou.

Resta apenas uma constatação: a equipe da Alemanha confirma meu prognóstico de que os jovens estão com a bola toda! Isso se aplica a tudo onde se busca o melhor desempenho. Principalmente a psiquiatras. Reforço: cuidado com os psiquiatras mais velhos, que se formaram há muitos anos atrás. Quanto mais próximos de Freud, mais perigosos! Mulheres, atenção redobrada, essas criaturas costumam achar que damos piti e que temos histeria… Lástima. Brincam com nossas medicações e usam pérolas para falar sobre nossas condições. Dia desses, um desses velhos, condenou um menino de 17 anos: disse ao pai que o menino não tinha conserto (um psiquiatra!). O pior foi que o pai acreditou!!! (sei da história porque convivo com ambos – pai e filho – e conheço a figura – o psiquiatra). Gente como esse senhor que falam essas coisas acabam mal, lembro de um amigo da minha mãe que tinha um problema pulmonar e foi desenganado por pneumologistas e viveu mais tempo do que os médicos que o haviam condenado à morte prematura… Coisas da vida…

Dependendo do psiquiatra podemos entrar pelo cano, como fizeram Brasil e Argentina. Deus que nos proteja!

Estável

Permaneço estável. Respeitando minhas vontades. Nunca mais fiz o que não queria. Copa do mundo por exemplo é aqui em casa, tranquila e calma, vendo o jogo por todos os ângulos que eu gosto, no canal que eu quero, acompanhada de uma, duas ou três pessoas no máximo. Pessoas de quem eu gosto de verdade. Sem gritos (a não ser os meus), sem perigos de dirigir depois das loucuras da torcida, sem incômodo! Uma maravilha!!! Tá certo que parece coisa de gente deprimida, mas vamos combinar que deprimente mesmo era o que eu fazia há 4 anos atrás e nas copas anteriores.

Eu ia a todas as programações obrigatórias para que me considerassem normal: Copas do Mundo, Festas Juninas, Natais, Anos Novos… Mas concluí que era esse esforço para ser normal que me piorava. Copa, por exemplo: via os jogos no meio da maior algazarra, às vezes perdia os lances importantes, era obrigada a aturar o Galvão Bueno ou qualquer outra coisa que a democracia do local decidisse por mim, ficava com aquela cara de festa e na realidade eu não estava muito confortável, tampouco feliz!

Agora é diferente: assisto no SporTV que apesar de ser igualmente da Globo, possui comentaristas muito mais agradáveis e a imagem tem a mesma boa qualidade; nenhum bêbado me incomoda; não perco nenhum lance; posso ficar deitada, confortável, ou mesmo de pé pulando, posso dar cambalhota ou permencer impassível porque não tem ninguém aqui enquanto assisto aos jogos para avaliar se eu sou normal.

O mesmo ocorre com as festividades: não vou mais às festas que as pessoas acham que são as melhores. Se eu prefiro uma pequena festa com pouca gente eu vou e deixo de ir a outras mais badaladas, ou ao contrário, posso ir a um imenso baile carnavalesco acompanhada de quem eu quiser. Chega de dar satisfação à família, à sociedade, aos outros!

E assim vou mantendo minha estabilidade, porque também, quando eu deixava de ler um bom livro pra ficar bebendo e saracutiando sem vontade apenas para as pessoas acreditarem que eu sou normal o prejuízo era total: perdia a oportunidade de estar comigo e bem para ficar à mercê dos comentários dos outros sobre meu humor, minha aparência etc, e continuava não sendo normal do mesmo jeito. Agora a diferença é que se eu sou considerada “anormal” pelo menos estou de bem comigo!

É isso, pessoal… Ah, e eu posso também gostar do Maradona e vibrar com o time da Argentina sem medo de apanhar (brincadeirinha…)

EMDR: uma revolução!

Tive a oportunidade de experimentar essa nova modalidade de terapia que promete revolucionar o campo da psicologia – a EMDR. A sigla se refere aos termos em inglês: Eye Movement Desensitization and Reprocessing (a tradução seria algo como Desensibilização e Reprocessamento pelo Movimento dos Olhos). É uma técnica que trabalha estímulos bilaterais (estimula os dois hemisférios cerebrais) e visa eliminar traumas, lembranças negativas em busca de cura para as mais diversas mazelas da mente.

Eu fiz uma sessão e confesso que saí dela mais leve, mais entusiasmada. Vi os efeitos nos meus sonhos, nas minhas reações, nas mudanças de pensamento. Aconteceram episódios com a minha mãe, por exemplo, onde antes eu teria dado mais importância a certas palavras dela, mas não tive o menor impulso de reação. Costumava ser muito reativa à minha família, ficava cheia de raiva etc. Minha mãe que já vinha num caminho de me execrar e me tirar tudo o que pudesse de mim, finalmente deu o golpe final: disse que ia me tirar do plano de saúde para colocar a filha da minha irmã. Se fosse antigamente eu daria um escândalo do tipo: ” ah, já não está satisfeita com todo o mal que me causou e agora ainda quer que eu morra sem assistência médica?!!” Coisas desse tipo. Que nada. Eu simplesmente disse: ok.

Meu irmão também veio tirar satisfações de coisas do passado e eu disse apenas: ah tá… E pronto! Simples assim! Sem esforço, sem precisar ficar me lembrando do que eu prometi fazer ou não fazer da minha vida. Muito libertador! Eu recomendo!!!

Um, dois, três… testando!

Opa, parece que o microfone está funcionando! Então vamos lá!!!

Gente, consegui sair da lama. Desejo que seja por bom tempo! Voltei a querer viver. Isso é uma maravilha! Estou trabalhando com bastante produtividade, reorganizando minhas relações pessoais, reparando danos causados às pessoas (é, vocês acham que a gente é de fino trato? quando surtamos incomodamos muita gente, magoamos, fazemos coisas que não devíamos), a grande diferença é que dessa vez eu fiz as reparações do fundo do coração. Antes eu até fazia, mas era mais para aliviar a consciência.

Como tem sido bom me aliviar do peso que venho carregando há tantas décadas! Já sou uma senhora e andava com um balaio cheio de mágoas da infância, lembranças inúteis e que não me ajudavam em nada, apenas me enchiam de ódio e de depressão (às vezes as duas coisas ao mesmo tempo e sempre uma ou outra). Vou confessar os meus segredos:

  1. Estou com 2 psicólogos: uma junguiana e outro cognitivo comportamental. Loucura? De jeito nenhum. A primeira teve um papel fundamental para que eu percebesse o tamanho da carga que eu carregava. Me hipnotizou e me fez resolver uma série de coisas em sonhos, além de abrir um ralo dentro de mim, de onde brotaram todos os piores sentimentos humanos (tive crises de fúria, ódio mortal, vontade de matar o povo da minha família, para dar apenas alguns exemplos). O outro psicólogo é ótimo pra me trazer de volta. Então a mulher me levou às profundezas do Hades e o homem foi até o subetrrâneo para me tirar de lá. É bom conhecer os nossos infernos, mas é fundamental ter quem nos lembre que também temos um paraíso para desfrutar aqui e agora.
  2. Estou com uma psiquiatra nova, nova para mim e nova de idade. Jovem. Formei uma crença: os jovens estão mais atualizados em termos de psiquiatria. Os mais antigos por vezes têm vícios e medos, conceitos arraigados e podem até nos fazer muito mal. O último, um senhor bondoso, quase me enlouqueceu de vez brincando de mudar a dose das medicações. Se eu ficava melhor, ele diminuía, se eu ficava pior, ele aumentava. Uma gangorra insuportável que me levou à emergência psiquiátrica onde encontrei a deusa que me cuida atualmente. (acho que andei vendo muito filme esses dias, Fúria de Titãs me inspirou sobremaneira!).
  3. Persisti. Não deixei de fazer tudo o que estava a meu alcance. É trabalhoso, demora, é intermitente – não sei dizer por quanto tempo vou permanecer bem, como já disse, desejo que seja por muito tempo. Mas tenho que manter em mente que há a possibilidade de que eu volte para a lama. E que terei que estar disposta a começar tudo de novo. Vale a pena, insista!
  4. Busquei ajuda espiritual. Não vem ao caso explicitar que tipo de ajuda. Sei que contribuiu.

Enfim… Devemos lutar muito, modificar atitudes e hábitos, ter fé (seja lá como for, mesmo que seja a fé nos avanços da ciência), praticarmos a humildade de reparar danos, cultivar a persistência, e se tivermos dinheiro investir muito em saúde mental, sempre!

Internação: uma opção?

Ontem tive que ir até minha nova psiquiatra num centro de saúde mental onde ela trabalha. Fiquei horas por lá, vi muitos internos, fiz amizades.

Um dos internos me disse que estava tomando haldol e não sei mais o que, não quis me dizer o diagnóstico porque disse que não acreditava nele. Gostei muito de conversar com ele. Estava internado havia 44 dias (achei muito tempo), mas fui testemunha de sua alta. Ele estava feliz por poder voltar a ter liberdade.

Pensei muito sobre essa questão da privação de liberdade durante o período de cuidado intenso num centro, numa clínica etc. O clima no espaço onde eu fui parecia tão ameno, as pessoas estavam ali, livres conversando comigo (porém não tão livres para sair comigo portão afora), e eu até que senti uma ponta de vontade de ficar um tempo ali, tomando uns remédios, tendo sempre companhia, pessoas cuidando de mim e me dando atenção. Constatei que devo estar tremendamente carente. Comentei com a psiquiatra e ela riu muito, acho que ela me acha muito engraçada!

Depois fiz amizade com um moço agitado que estava reclamando porque não conseguia ficar parado. Ele gostaria de conseguir ler e escrever, mas só consegue ficar em movimento. Conversamos longamente e ele me contou de suas visões psicóticas. Fizemos algumas analogias sobre as visões que ele tinha e falamos sobre outras dimensões, foi divertido. Ele ficou feliz.

Talvez eu vá mais vezes lá, ou me ofereça para voluntariamente conversar com essas pessoas de vez em quando. Porque eu fiquei feliz e eles também ficaram. Quando viram que eu estava esperando a psiquiatra ficaram ainda mais entusiasmados porque eu era “um deles”.

Sim, sou um deles. Mas nunca precisei de internação. Nem sei se acredito nisso, não sei se é uma opção para o tratamento. Talvez em casos extremos. Mas ali eu me senti em casa. As pessoas me entenderam, me amaram de graça. Pensei: será que os chamados “loucos” não estão mais humanos do que os chamados “sãos”? Coisas a se considerar…

Ah… minha gastrite foi embora! Obrigada pelos votos de melhoras!

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E agora, com vocês, a estrela do dia: a gastrite!

Como se não bastassem todos os meus desgostos psicológicos e emocionais, eis que me aparece uma dolorosa gastrite.

Óbvio que algo físico deveria aparecer, mas eu estava bem mais confortável com as minhas herpes de stress. A gastrite dói, me deixa de cama, dá um desespero medonho! Que horror!

Mas, não tenho apenas más notícias. Melhorei bastante. Vai ver ter a dor da gastrite me distrai da dor interna abstrata. E a vontade de não viver passou. Ainda não posso dizer que estou feliz da vida, mas tenho conseguido encontrar sentido em algumas coisas e ver que nem tudo está perdido.

Há luz no fim do buraco do coelho!

Consegui voltar a realizar as atividades cotidianas, colocar em dia algumas coisas atrasadas, sair com algumas pessoas queridas, rir, ver um filme bobo, brincar entusiasmada com minha cachorra. Ela sim, parece saber tudo o que sinto. Uma sintonia afinadíssima! Nesse momento está aqui, tentando aquecer minha barriga dolorida. E haja chá!!!

Vontade de não viver

Voltei a ter vontade de não viver.

Isso é bem diferente de ter vontade de morrer!

Assisti ao aclamado Alice no País das Maravilhas do Tim Burton. Gostaria que existisse uma toca de coelho daquelas, que me levasse para outro lugar. Não gosto desse mundo, não me sinto parte desse mundo. Todavia, sou covarde demais para morrer…

Fico por aqui, tentando achar graça, tentando ver sentido. É duro!

Passou dia das mães, consegui me livrar do fardo da celebração hipócrita familiar, consegui alcançar algumas coisas preciosas para mim, realizar uns tantos sonhos e ainda assim não vejo nada de tão grandioso nesse mundo e nessa vida.

Dia desses recebi uma mensagem ridícula dizendo: ‘você não está deprimido, está distraído’. Era uma daquelas baboseiras em power point cheia de imagens lindas da nossa mãe terra. Eu louvo a existência e reconheço sua grandiosidade, mas daí a me considerar distraída porque não vivo em estado de êxtase por causa da simplicidade do belo é uma grande distância. Talvez os deprimidos não sejam distraídos. Pelo contrário. Raros os distraídos que se deprimem porque não se apegam a imagens sombrias.

Deus me livre de ficar aqui banalizando as coisas, os sentimentos, a vida. Longe de mim! Tenho muitos pequenos momentos de prazer. Normal. Mas se me chamarem para o buraco do coelho, nem pisco, certamente vou! O que mais me incomoda em morrer é pensar no efeito que isso causará nos outros. Se eu pudesse ir embora como quem faz uma viagem, seria excelente!

É isso. Simples assim.

De caso com a Ansiedade

Passei um dia infernal ontem!

Ansiedade pura… Estouraram todas as minhas herpes, fiquei com falta de ar, respirando mal, não conseguia dormir, mas não conseguia fazer nada, não conseguia parar quieta, mas ao mesmo tempo não me concentrava.

Se a depressão é um cafajeste, a ansiedade é uma daquelas amantes estilo ‘atração fatal’. Elas arrombam a porta da sua casa, andam de um lado para o outro, querem atenção o tempo inteiro. Se você começa a ler um bom livro, elas dão escândalo, dizendo que estão sendo deixadas de lado. Só podemos prestar atenção ao que elas querem.

Quando a gente não dá bola, elas pulam em cima, nos enforcam, começam a dar escândalos dentro das nossas cabeças. A sensação é de estar com lombrigas nos pulmões. Um inferno!!! Você fica em estado de hipnose, em suspensão, por essa amante pegajosa, chata, mas de quem não consegue se livrar… Ahhh, se eu acreditasse, diria que é o próprio diabo atentando!

Tomei um ansiolítico, foi o mesmo que nada. Tomei um segundo. Consegui dormir algumas horas. Acordei, andava pra lá e pra cá… Não fiz nada e morri de cansaço. Tive que trabalhar à noite arrastando as tamancas, de tanta estafa. Estafa total! De ansiedade pura.

Oh, maldita! Vê se arranja outro amante e me deixa em paz!!!!