Euforia!!!!!!!!!!!!!!! Estou a mil por hora!!!

 

Fazia tempo que não passava por isso. Tive uma notícia maravilhooooosa ontem de manhã e até a tarde de hoje fiquei a mil por hora. O bagulho foi tão frenético que agora de tarde, quando consegui dar uma amenizada no estado maníaco, caí em exaustão. Deitei e dormi 2 horas seguidas. É incrível como durante o dia a gente nunca tem insônia. (risos)…

Pela primeira vez não gostei da parte eufórica de ser bipolar. Eu sempre gostava da sensação de extrema satisfação, da agitação do corpo, da alegria imensa. A vontade de extravasar me fez ligar para alguns amigos. Com taquilalia (pra quem não sabe é fala excessiva e acelerada), voz trêmula e respiração ofegante ia contando a novidade e as consequências todas muito boas relacionadas a ela. Sempre repetindo pra eles não ficarem preocupados, que eu sabia que estava com mania, mas que eu ia ficar bem. Esses amigos mais próximos sabem sobre o que eu tenho e me dão muito apoio.

Oras, minha vida vai mudar pra melhor e o que me vem é um sintoma? Fiquei chateada. Principalmente porque dormi pouco e mal, tencionei a mandíbula de um jeito que está doendo até agora, fiquei com a musculatura toda retesada e uma sensação interna de abalo total. De manhã, quando a notícia chegou fiquei sem ar e tive que sair dirigindo pra buscar meus pais no aeroporto. Os pensamentos acelerados eram bombardeados com a preocupação: “eles não podem perceber, eu tenho que disfarçar!”. Fiz todos os exercícios respiratórios que eu conheço para melhorar. Em 20 minutos estava melhor, mas ainda trêmula, com o coração a mil por hora e com o pensamento acelerado. Minha mãe chegou: “e aí, alguma novidade”. E eu, falando bem alto: “uuuuuuuuhhhhhh, muitasssssssssss, só coisa maravilhosa e…”. Percebi que estava me descontrolando e falei: “mas me conta da viagem!”. Ufa, escapei. O resto do tempo foi fácil. Não contei as novidades e mantive a linha!

Em casa, fim de tarde, pulando, andando pra lá e pra cá, falando sozinha e de vez em quando dando uns gritos de alegria, me empolgava até a noite chegar. Entrei na internet, fiz um monte de coisa, respondi emails, escrevi projetos, textos, tive novas ideias, produção 200%. Deitei. A cabeça rodando. Levantei. Fiz uma meditação. Deu certo. Deitei. A mente começou: “estou relaxaaaadaaa, estou com sonoooo” um mantra que me ensinaram para momentos de insônia. Dormi uma meia hora. Acordei. Batimentos cardíacos acelerados. Tomo rivotril? Não tomo? Tomo, não tomo, tomo, não tomo, tomo, não tomo, tomo, não tomo, tomo, não tomo, tomo, não tomo, tomo, não tomo, tomo, não tomo, tomo, não tomo. Não tomei! Deitei novamente. Respirei profundamente. Fiz todo aquele procedimento “minha perna está pesada, meu corpo está pesado, meus braços estão pesados, minha cabeça está pesada”. “Será que já estou conseguindo dormir? Quero prestar atenção até conseguir dormir. Por que será que a gente nunca se lembra do momento exato em que começou a dormir? Agora vou ficar atenta e ver exatamente a hora em que eu começar a dormir”. Isso durou umas 3 horas, mais ou menos.

Acordei de manhã toda moída. Levantei e começou tudo de novo. Respiração ofegante. Sem fome. Ligando para um monte de gente. Tem gente pra quem não dá pra contar. Tem gente que tem inveja. Tem gente que não precisa saber. Fiz 4 meditações. Nada! Liguei para a terapeuta pra saber se deveria tomar rivotril. Caixa-postal. Deixei mensagem. Fui para a varanda do apartamento. Deitei na rede. Tomei sol. O sol me esquentou. Fiquei mole. Um amigo ligou. Eu disse que não tinha fome. Ele me mandou comer (nessas horas a gente precisa de alguém pra mandar mesmo, é mais eficiente). Esquentei um arroz integral (era a única coisa que passaria pela minha garganta). Respirei. A terapeuta ligou. Queria me atender. Eu disse que tinha melhorado. Ela ensinou uma técnica nova. Usei a técnica. Ela disse pra eu ligar que ela me atenderia a qualquer hora. Agradeci.

Deitei. Dormi até agora. Acordei melhor, mas com o corpo parecendo que eu caminhei por 5 horas no deserto do Saara. Pensei: preciso escrever isso. Para contar pros outros. Pra saber se eles também sentem isso. Para me sentir gente…

E aqui estou eu!!!