Estável

Permaneço estável. Respeitando minhas vontades. Nunca mais fiz o que não queria. Copa do mundo por exemplo é aqui em casa, tranquila e calma, vendo o jogo por todos os ângulos que eu gosto, no canal que eu quero, acompanhada de uma, duas ou três pessoas no máximo. Pessoas de quem eu gosto de verdade. Sem gritos (a não ser os meus), sem perigos de dirigir depois das loucuras da torcida, sem incômodo! Uma maravilha!!! Tá certo que parece coisa de gente deprimida, mas vamos combinar que deprimente mesmo era o que eu fazia há 4 anos atrás e nas copas anteriores.

Eu ia a todas as programações obrigatórias para que me considerassem normal: Copas do Mundo, Festas Juninas, Natais, Anos Novos… Mas concluí que era esse esforço para ser normal que me piorava. Copa, por exemplo: via os jogos no meio da maior algazarra, às vezes perdia os lances importantes, era obrigada a aturar o Galvão Bueno ou qualquer outra coisa que a democracia do local decidisse por mim, ficava com aquela cara de festa e na realidade eu não estava muito confortável, tampouco feliz!

Agora é diferente: assisto no SporTV que apesar de ser igualmente da Globo, possui comentaristas muito mais agradáveis e a imagem tem a mesma boa qualidade; nenhum bêbado me incomoda; não perco nenhum lance; posso ficar deitada, confortável, ou mesmo de pé pulando, posso dar cambalhota ou permencer impassível porque não tem ninguém aqui enquanto assisto aos jogos para avaliar se eu sou normal.

O mesmo ocorre com as festividades: não vou mais às festas que as pessoas acham que são as melhores. Se eu prefiro uma pequena festa com pouca gente eu vou e deixo de ir a outras mais badaladas, ou ao contrário, posso ir a um imenso baile carnavalesco acompanhada de quem eu quiser. Chega de dar satisfação à família, à sociedade, aos outros!

E assim vou mantendo minha estabilidade, porque também, quando eu deixava de ler um bom livro pra ficar bebendo e saracutiando sem vontade apenas para as pessoas acreditarem que eu sou normal o prejuízo era total: perdia a oportunidade de estar comigo e bem para ficar à mercê dos comentários dos outros sobre meu humor, minha aparência etc, e continuava não sendo normal do mesmo jeito. Agora a diferença é que se eu sou considerada “anormal” pelo menos estou de bem comigo!

É isso, pessoal… Ah, e eu posso também gostar do Maradona e vibrar com o time da Argentina sem medo de apanhar (brincadeirinha…)