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Litemia

Litemia. Exame para ver a dosagem do lítio. Serve para evitar a toxicidade e para ver se a dose está na faixa terapêutica. O certo é estar entre 0,6 e 1,2. Abaixo de 0,6 não é terapêutico. Acima de 1,2 é tóxico. Ou seja… Temos que estar no caminho do meio. Evitar passar os limites. E novamente estou na linha de fronteira.

Minha litemia deu 0,2. É pouco. Aumentamos a dose. Vamos ver…

Próxima litemia semana que vem.

Ando bem. Feliz em poder experimentar essa nova sensação de estabilidade. Algumas desvantagens, principalmente por não ver mais flores em algumas pessoas e situações. Mas fazer o quê? Melhor cuidar bem de mim…

Lítio

Pois é…

Fugi, corri pra lá, corri pra cá, ali e acolá, mas ele veio atrás de mim e me pegou.

Pior: estou apaixonada! Pode?

Me deixou com a boca seca, uma sensação estranha de estar fora de meu próprio corpo, se apossou dos meus sentidos, mas me fez bem. Vai ser assim que vou poder decretar daqui a um tempo que sou mesmo bipolar, porque o tal do Lítio só funciona para quem é bipolar.

Vamos aguardar…

De caso com a Ansiedade

Passei um dia infernal ontem!

Ansiedade pura… Estouraram todas as minhas herpes, fiquei com falta de ar, respirando mal, não conseguia dormir, mas não conseguia fazer nada, não conseguia parar quieta, mas ao mesmo tempo não me concentrava.

Se a depressão é um cafajeste, a ansiedade é uma daquelas amantes estilo ‘atração fatal’. Elas arrombam a porta da sua casa, andam de um lado para o outro, querem atenção o tempo inteiro. Se você começa a ler um bom livro, elas dão escândalo, dizendo que estão sendo deixadas de lado. Só podemos prestar atenção ao que elas querem.

Quando a gente não dá bola, elas pulam em cima, nos enforcam, começam a dar escândalos dentro das nossas cabeças. A sensação é de estar com lombrigas nos pulmões. Um inferno!!! Você fica em estado de hipnose, em suspensão, por essa amante pegajosa, chata, mas de quem não consegue se livrar… Ahhh, se eu acreditasse, diria que é o próprio diabo atentando!

Tomei um ansiolítico, foi o mesmo que nada. Tomei um segundo. Consegui dormir algumas horas. Acordei, andava pra lá e pra cá… Não fiz nada e morri de cansaço. Tive que trabalhar à noite arrastando as tamancas, de tanta estafa. Estafa total! De ansiedade pura.

Oh, maldita! Vê se arranja outro amante e me deixa em paz!!!!

O sol brilha como a sertralina!

Estou aqui, de manhã cedo, com a mente livre do temporal que me atordoava até ontem. Ironicamente o clima da cidade me acompanha nessa mudança. A tempestade de ontem repleta de nuvens cinza-escuras deu lugar a um céu azul, limpo com um sol brilhante!

Sei que alguns podem ficar preocupados com o andamento do meu tratamento, afinal de contas se eu sou mesmo bipolar o uso de antidepressivos não é o recomendado. Mas afirmo com segurança que não estou nem perto de uma virada maníaca. Não descarto que daqui a alguns dias isso possa de fato ocorrer. Mas como eu já havia passado bons bocados com 150 mg de sertralina no passado, creio que estarei em equilíbrio enquanto a medicação ajudar. Estou ainda em 100 mg. Mas não vim aqui hoje falar de dosagens.

A psiquiatra que me atendeu por último e me salvou de um martírio que me acompanharia no feriado da semana santa disse que se eu continuar respondendo bem ao uso de antidepressivo com ansiolítico (tomo também olcadil), provavelmente meu diagnóstico seria o de depressão mista com transtorno de ansiedade. Agora que o remédio me trouxe os raios de sol nem me importo mais tanto com os rótulos tão enfatizados na postagem anterior.

Penso que talvez o psicanalista que me atendeu na quarta-feira passada e iria me ajudar apenas na segunda-feira (ontem) queria que eu experimentasse a expiação de Cristo no calvário e todas as coisas relacionadas à sexta-feira da paixão, ao sábado de aleluia com poucas chances de ressureição no domingo de páscoa. Ainda bem que uma estrela brilhou e me guiou até a Clínica Ser e eu pude me livrar da cruz que andava carregando!

Nos vemos por aqui então! Abraços de luz!

Lady Borderline

Ambientes bipolarizantes

Você acorda com gritos. Admonições. Seus pais bebem, brigam. Você apanha.

Um dia some um par de brincos de brilhantes e você e um de seus irmãos passam por uma sessão de investigação parecida com aquelas das séries CSI. Você tem cerca de 7 anos de idade. Convencem você de que os brincos devem ter sido jogados no meio de suas coisas. Ameaçam te levar à polícia. Dizem que vão te colocar num polígrafo (muito embora você ainda não tenha idéia do que seja isso, mas depois explicam que é um detector de mentiras). Você confessa, depois de horas de stress que deve mesmo ter brincado com os brincos e não se lembra onde foram parar… Chamam um encanador para desmontar o vaso sanitário, a pia e o bidê (naqueles tempos todos os banheiros tinham bidê). Você apanha porque não encontram os brincos. Você é profundamente infeliz!

Meses depois encontram os brincos na bolsa da empregada.

Você cresce com a sensação de que nunca vão acreditar no que você fala. Nem você mesma.

Um dia você acorda, com carinhos e beijos. Seus pais levam você para brincar com os cisnes do laguinho na praça dos três poderes (tempos antigos e bons aqueles…). Você sente o sol, o frescor do vento, come pipoca, joga pipoca no laguinho. Você é feliz, quase exultante! Te beijam, abraçam, elogiam. Tiram fotos.

As partes maníacas da infância bipolarizante costumam ser regiamente registradas em fotos e vídeos. Um ambiente feliz, perfeito, propaganda de margarina.

As partes depressivas da infância bipolarizante costumam ser regiamente registradas em sua mente, pele, emoções. Você cresce com o emocional em carne viva. Sempre aguardando a hora em que os momentos maravilhosos vão se transformar em um trecho de filme de terror. Sexta-feira 13 parte 1, parte 2, parte 3, …, parte 25, parte 26…, parte 82, etc. Mereciam fotos e vídeos. Mas infelizmente, para você, nunca são registrados concretamente. E quando você cita aquilo, dizem que você inventou, afinal, você é doida! E nunca se esqueça: “doido também apanha!”

Dizem que os transtornos afetivos e de humor são genéticos. Não se tem muita certeza disso. Mas uma coisa é certa: um ambiente bipolarizante pode psicotizar qualquer ser humano. Experimente fazer isso com um animal de estimação. Alterne momentos de extremo afeto e elogios com surras, xingamentos e gritos. Talvez você acabe com um animalzinho bipolar.

Depois de adulto, você precisará de ajuda. Se Jesus não te salvar, só a terapia cognitivo-comportamental salva! E a farmacologia, claro. Viva a farmacologia – já dizia o Tom Zé!