Bipolaridade Medicada

Olá, meus queridos!

Fiquei muuuuuiiiiitos anos sem postar nada. Algumas pessoas inclusive mandaram mensagens preocupadas. Eu sei, nossos diagnósticos não sugerem boas coisas quando a gente some assim.

Acontece que estive tão bem durante esses anos e fiz tanta coisa que parei de postar. De alguma maneira eu não me identificava mais com essa personagem que eu criei aqui. Mas agora, com toda essa pandemia e loucura acontecendo em volta de mim, bateu a vontade de retomar tudo isso aqui.

Por quê? Porque acho que devo contribuir com a saúde mental daqueles que sofrem como eu sofri. Para que experimentem essa paz de estar livre dos piores sintomas. Nunca fiquei estável, como dizia um post meu antigo, estável é quem já morreu. Mas garanto que ando muito melhor hoje em dia. E graças aos tratamentos.

Preciso atualizar vocês sobre a jornada desde que parei de escrever até agora. Estou com um projeto “Bipolaridade Medicada”. Quero fazer mais posts e um podcast e um canal no Youtube para que as pessoas saibam que nossa situação tem controle. Não tem cura (será? ainda não. mas acredito que um dia teremos…). Mas tem controle!

É isso.

E vocês, meus queridos? Como estão?

Estável é quem já morreu!

Andei muito bem nos últimos meses. Tanto que nem via tanto sentido em alimentar essas páginas. Porque as páginas que escrevo aqui são uma espécie de terapia para mim mesma, mas que acabam dando informações para quem lê e se identifica.

Acontece que tem alguns dias que andei sapateando na lama. Primeiro as insônias novamente. Aquela coisa de ficar tagarelando por dentro na hora em que deito a cabeça no travesseiro. Depois as brigas por causa da falta de paciência com as pessoas. E então uma depressão por causa das brigas. E uma raiva enorme por perder a estabilidade!

Hoje acordei pensando que a instabilidade é a base da vida. Que não tenho que buscar a estabilidade. Só a morte é estável. Viver é instável. E aprendi uma vez num a aula de circo, que na corda bamba quem fica muito firme e rígido, nunca se equilibra. Precisamos então aprender a sermos flexíveis.

Um galho flexível dificilmente quebra com uma ventania. Já os mais duros, acabam se partindo.

Estável

Permaneço estável. Respeitando minhas vontades. Nunca mais fiz o que não queria. Copa do mundo por exemplo é aqui em casa, tranquila e calma, vendo o jogo por todos os ângulos que eu gosto, no canal que eu quero, acompanhada de uma, duas ou três pessoas no máximo. Pessoas de quem eu gosto de verdade. Sem gritos (a não ser os meus), sem perigos de dirigir depois das loucuras da torcida, sem incômodo! Uma maravilha!!! Tá certo que parece coisa de gente deprimida, mas vamos combinar que deprimente mesmo era o que eu fazia há 4 anos atrás e nas copas anteriores.

Eu ia a todas as programações obrigatórias para que me considerassem normal: Copas do Mundo, Festas Juninas, Natais, Anos Novos… Mas concluí que era esse esforço para ser normal que me piorava. Copa, por exemplo: via os jogos no meio da maior algazarra, às vezes perdia os lances importantes, era obrigada a aturar o Galvão Bueno ou qualquer outra coisa que a democracia do local decidisse por mim, ficava com aquela cara de festa e na realidade eu não estava muito confortável, tampouco feliz!

Agora é diferente: assisto no SporTV que apesar de ser igualmente da Globo, possui comentaristas muito mais agradáveis e a imagem tem a mesma boa qualidade; nenhum bêbado me incomoda; não perco nenhum lance; posso ficar deitada, confortável, ou mesmo de pé pulando, posso dar cambalhota ou permencer impassível porque não tem ninguém aqui enquanto assisto aos jogos para avaliar se eu sou normal.

O mesmo ocorre com as festividades: não vou mais às festas que as pessoas acham que são as melhores. Se eu prefiro uma pequena festa com pouca gente eu vou e deixo de ir a outras mais badaladas, ou ao contrário, posso ir a um imenso baile carnavalesco acompanhada de quem eu quiser. Chega de dar satisfação à família, à sociedade, aos outros!

E assim vou mantendo minha estabilidade, porque também, quando eu deixava de ler um bom livro pra ficar bebendo e saracutiando sem vontade apenas para as pessoas acreditarem que eu sou normal o prejuízo era total: perdia a oportunidade de estar comigo e bem para ficar à mercê dos comentários dos outros sobre meu humor, minha aparência etc, e continuava não sendo normal do mesmo jeito. Agora a diferença é que se eu sou considerada “anormal” pelo menos estou de bem comigo!

É isso, pessoal… Ah, e eu posso também gostar do Maradona e vibrar com o time da Argentina sem medo de apanhar (brincadeirinha…)