Vontade de não viver

Voltei a ter vontade de não viver.

Isso é bem diferente de ter vontade de morrer!

Assisti ao aclamado Alice no País das Maravilhas do Tim Burton. Gostaria que existisse uma toca de coelho daquelas, que me levasse para outro lugar. Não gosto desse mundo, não me sinto parte desse mundo. Todavia, sou covarde demais para morrer…

Fico por aqui, tentando achar graça, tentando ver sentido. É duro!

Passou dia das mães, consegui me livrar do fardo da celebração hipócrita familiar, consegui alcançar algumas coisas preciosas para mim, realizar uns tantos sonhos e ainda assim não vejo nada de tão grandioso nesse mundo e nessa vida.

Dia desses recebi uma mensagem ridícula dizendo: ‘você não está deprimido, está distraído’. Era uma daquelas baboseiras em power point cheia de imagens lindas da nossa mãe terra. Eu louvo a existência e reconheço sua grandiosidade, mas daí a me considerar distraída porque não vivo em estado de êxtase por causa da simplicidade do belo é uma grande distância. Talvez os deprimidos não sejam distraídos. Pelo contrário. Raros os distraídos que se deprimem porque não se apegam a imagens sombrias.

Deus me livre de ficar aqui banalizando as coisas, os sentimentos, a vida. Longe de mim! Tenho muitos pequenos momentos de prazer. Normal. Mas se me chamarem para o buraco do coelho, nem pisco, certamente vou! O que mais me incomoda em morrer é pensar no efeito que isso causará nos outros. Se eu pudesse ir embora como quem faz uma viagem, seria excelente!

É isso. Simples assim.

A depressão é como um cafajeste

Chegou  sem avisar, se instalou em minha cama e utilizou todos os cômodos de minha casa. Dormiu comigo, fez tudo o que teve vontade, suplantou os meus desejos e me deixou completamente envolvida. Me iludiu, fez com que eu acreditasse que ficaria comigo para sempre ou que morreríamos em algum pacto secreto. Mas foi embora, do mesmo modo que veio, sem avisar, sem deixar recado, nem mesmo um telefone de contato!

Ora essa maldita! Ainda bem que diferente de um cafajeste, não me deixou saudade!

E vamos de volta à normalidade!!!! Estou escalando o poço! Louvados sejam meus esforços e as contribuições de força que recebo por aqui!

Como é a sensação?

A cabeça pesa. O pensamento vaga. A vontade é de que aconteça alguma coisa, nem que seja uma catástrofe, pra agitar um pouco a vida. A sensação é de estar parada, no centro de um furacão. Tudo gira em volta, todos parecem bem, todos estão felizes, tudo acontece, mas eu no centro, fico paralisada.

Medo, desgosto, desânimo. Falta de vontade. Falta vontade de levantar, de sair de casa, de tomar banho. Até de comer. Cozinhar então, nem se fala. Falta vontade de muita coisa, menos de fazer coisas que não demandem muito esforço como ficar deitada na cama com o laptop na barriga, vendo o que acontece no mundo e até mesmo escrevendo por aqui.

Ver televisão é possível, mas às vezes o sono interrompe no meio alguma coisa que estava até interessante. Ontem não consegui ver o final do especial sobre a Islândia no NatGeo, apesar da curiosidade. Apaguei… Começo a ler, paro. Começo a navegar, paro. Tomo uma água para não desidratar, mas a vontade de fazer xixi é desanimadora. Mesmo assim, faço um esforço danado e vou ao banheiro. Se pudesse, usava fraldas.

Choro, nem sei porque. Mas choro. Depois paro de chorar. Penso. Penso no que pode estar errado, no que está certo, no que não pensei ainda. Me preocupo, com tudo e com todos. Vejo mais televisão. Será que o mundo vai acabar? Até que não seria mau. China treme, Chile também, Islândia se derrete, meteoritos caem do céu, o Rio se desmancha, o Haiti foi pro beleléu… E a minha cama parece a caverna de Hades. Sombria, úmida, um local de onde não se pode sair.

É isso, minha gente! Pra quem tem curiosidade de saber como é estar deprimido, fiz o meu melhor para descrever…