Episódio Misto: Não confunda com Depressão!

Olá a tod@s!

Há mais ou menos um mês estou em crise. Os primeiros sinais me passaram despercebidos. Isso não é comum. Eu costumava ter mais noção do que acontece comigo e ficava atenta a possíveis indícios de crise.

Primeiro, uma insônia diferente: eu acordando no meio da noite (isso nunca tinha acontecido). Em seguida uma sensação insuportável de abandono e rejeição, carência extrema. Uma crise de pânico (mais uma novidade!). Dificuldade de concentração… E a famosa vontade de morrer.

Uma dor, uma dor na alma. Uma dor indescritível. Só morrer poderia aliviar…

Projetos suicidas. Mas sempre buscando minimizar os efeitos de um suicídio na vida das outras pessoas. Queria poder morrer em paz, sem que isso interferisse na vida dos outros. Não há jeito!

Aí, como sempre, vou ao médico. Um médico de convênio que servia para passar receitas. Afinal de contas, a lamotrigina estava segurando a onda. Porém, ninguém estava preparado para lidar com uma nova crise. Nem eu, muito menos ele!

Eu me sentia meio estranha com aquele senhor. Ele não me olhava muito, ficava com os olhos no computador, analisando meu prontuário online. Para encurtar a história, ouvindo meu relato ele foi objetivo: você está com depressão! O que ele fez? Manteve a lamotrigina e entrou com bupropiona, que segundo ele é um anti-depressivo seguro, que não me deixaria maníaca.

Cinco dias de desgraça se passaram: além da vontade de morrer, agora sentia calafrios, enjôo, dores de cabeça, boca seca, sensação de tremor. Ahhhh… Se eu estou com dor na alma e vontade de morrer, quem sabe umas dores no corpo também não ajudariam? A vontade agora era de morrer o mais rápido possível!

Até que não aguentei mais e liguei para a minha médica do ano passado. A que parou de aceitar planos de saúde. Ela já começou o tratamento pelo telefone mesmo. Fez um encaixe para o dia seguinte. Me fez um desconto. Me senti gente! Eu não era mais uma paciente! Um número… Quarenta reais a mais no bolso do médico de convênio!

Em 40 minutos de atendimento, a Dra. Sabrina conseguiu me avaliar decentemente. Não era depressão. É um episódio misto! Um Episódio Misto! Ela tirou a bupropiona. Diminuiu a lamotrigina. Entrou com o divalproato de sódio. Ahhhhhhhhhhh… Alívio!

Ainda estou me adaptando. Mas sinto-me bem melhor!

Volto em breve para dar mais depoimentos!

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Estável é quem já morreu!

Andei muito bem nos últimos meses. Tanto que nem via tanto sentido em alimentar essas páginas. Porque as páginas que escrevo aqui são uma espécie de terapia para mim mesma, mas que acabam dando informações para quem lê e se identifica.

Acontece que tem alguns dias que andei sapateando na lama. Primeiro as insônias novamente. Aquela coisa de ficar tagarelando por dentro na hora em que deito a cabeça no travesseiro. Depois as brigas por causa da falta de paciência com as pessoas. E então uma depressão por causa das brigas. E uma raiva enorme por perder a estabilidade!

Hoje acordei pensando que a instabilidade é a base da vida. Que não tenho que buscar a estabilidade. Só a morte é estável. Viver é instável. E aprendi uma vez num a aula de circo, que na corda bamba quem fica muito firme e rígido, nunca se equilibra. Precisamos então aprender a sermos flexíveis.

Um galho flexível dificilmente quebra com uma ventania. Já os mais duros, acabam se partindo.