Internação: uma opção?

Ontem tive que ir até minha nova psiquiatra num centro de saúde mental onde ela trabalha. Fiquei horas por lá, vi muitos internos, fiz amizades.

Um dos internos me disse que estava tomando haldol e não sei mais o que, não quis me dizer o diagnóstico porque disse que não acreditava nele. Gostei muito de conversar com ele. Estava internado havia 44 dias (achei muito tempo), mas fui testemunha de sua alta. Ele estava feliz por poder voltar a ter liberdade.

Pensei muito sobre essa questão da privação de liberdade durante o período de cuidado intenso num centro, numa clínica etc. O clima no espaço onde eu fui parecia tão ameno, as pessoas estavam ali, livres conversando comigo (porém não tão livres para sair comigo portão afora), e eu até que senti uma ponta de vontade de ficar um tempo ali, tomando uns remédios, tendo sempre companhia, pessoas cuidando de mim e me dando atenção. Constatei que devo estar tremendamente carente. Comentei com a psiquiatra e ela riu muito, acho que ela me acha muito engraçada!

Depois fiz amizade com um moço agitado que estava reclamando porque não conseguia ficar parado. Ele gostaria de conseguir ler e escrever, mas só consegue ficar em movimento. Conversamos longamente e ele me contou de suas visões psicóticas. Fizemos algumas analogias sobre as visões que ele tinha e falamos sobre outras dimensões, foi divertido. Ele ficou feliz.

Talvez eu vá mais vezes lá, ou me ofereça para voluntariamente conversar com essas pessoas de vez em quando. Porque eu fiquei feliz e eles também ficaram. Quando viram que eu estava esperando a psiquiatra ficaram ainda mais entusiasmados porque eu era “um deles”.

Sim, sou um deles. Mas nunca precisei de internação. Nem sei se acredito nisso, não sei se é uma opção para o tratamento. Talvez em casos extremos. Mas ali eu me senti em casa. As pessoas me entenderam, me amaram de graça. Pensei: será que os chamados “loucos” não estão mais humanos do que os chamados “sãos”? Coisas a se considerar…

Ah… minha gastrite foi embora! Obrigada pelos votos de melhoras!

Publicado em Sem categoria

2 comentários em “Internação: uma opção?”

  1. Bom, em alguns momentos da minha vida, eu lamento que nenhuma das pessoas próximas (já que não havia ninguém propriamente “responsável” por mim que era uma adulta de mais de 30 anos…) tenha tido coragem de me encanhinhar par auma internação, ainda que fosse por um período curto. Creio que teria me sentido menos amedrontada e mais amparada se as coisas tivessem seguido esse rumo. Na verdade, nunca saberei, porque estou cada vez mais estável e é cada dia menos provável que eu venha a ter necessidade disso.
    Não é um mar de rosas, creio que é meio para casos extremos mesmo. Ficar privada das escolhas é sempre um desafio à paciência. Mas em alguns casos creio que ajuda muito e em outros é rigorosamente necessário.
    De qualquer modo, se o contato com os internos te faz bem, te faz repensar a sensasação de inadequação e o conceito de loucura, acho que frequentar o lugar por algum tempo porde ser muito benéfico.
    Não esqueça de nos dar o feedback. Estaremos torcendo.

    Beijo

    1. Oi querida!
      Voltei lá mais duas vezes e amei!
      Falei com a psiquiatra e ela disse que acha positivo eu aparecer lá de vez em quando.
      Que eu posso pedir para as pessoas responsáveis pela clínica autorização para visitar os pacientes e conversar com eles etc.
      Vamos ver.
      Viu meu novo post? Estou muito melhor!
      E você?
      Como está?

      beijos!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s