Para que servem os rótulos?

Minha crescente vontade de ler e escrever me prova que eu estava certa: precisava aumentar a dosagem dos meus remédios. Quando se trata de saúde mental os médicos podem ser bastante confusos, aliás, não só os médicos, todos os envolvidos conosco.

Qual a dificuldade em prescrever medicação a uma pessoa que está sentindo de fato os efeitos neuroquímicos de uma desordem psiquiátrica? Como eu já havia feito na postagem anterior, uma simples analogia faz com que possamos perceber o absurdo a que fui submetida nos últimos dias. Nenhum ser em sã consciência vai atender uma pessoa com febre e dizer que ela deve ir para casa e esperar até a semana que vem para ver se precisa realmente de uma medicação. Oras… Mesmo sabendo que febre é um sintoma, antes que a pessoa tenha um colapso, vão receitar um antipirético. Certo? Ok, eu também estava com um sintoma. Um não, vários. E eu deveria passar dias com insônia, irritabilidade, pensamento acelerado e confuso, oscilações de todas as naturezas, para depois fazer um check up e tentar descobrir as causas do meu sofrimento?

Ca%¨&¨$%#lho… Desde 2001 venho tentando descobrir as causas. Não sei o que tenho. Posso até lançar uma enquete, talvez o pessoal que lê esse blog consiga dar um diagnóstico melhor do que os que me atendem ao vivo e em cores. Vejam as opções:

a) tenho transtorno de personalidade borderline

b) tenho transtorno afetivo bipolar

c) tenho transtorno de ansiedade com depressão mista

d) tenho outra coisa que ninguém ainda descobriu

e) tenho todas as anteriores, em comorbidade

f) não tenho nada e apenas estou em busca de um rótulo.

O psicanalista que me atendeu falou que meu grande problema é que eu estou em busca de um rótulo… Minha justificativa para ele foi que a depender do problema o tratamento vai variar, não é mesmo pessoal? Para que servem os rótulos? Justamente para isso, para sabermos do que se trata, para podermos enfrentar a coisa que tem um nome, uma definição, um tratamento adequado, uma medicação a ser prescrita ou nenhuma medicação que faça efeito. Por que é tão importante sabermos os diagnósticos dos males físicos e não é importante sabermos os diagnósticos dos problemas de ordem psicológica ou emocional? É por causa do preconceito ou da pouca experiência dos profissionais da área que ficam com receio de errar?

Enfim… Segue mais um desabafo e a notícia de que estou melhor.

Continuo em busca do rótulo. Mesmo porque não me arriscaria a beber o conteúdo de uma garrafa que viesse sem rótulo à minha mesa. Vocês se arriscariam?