de porta em porta…

Estou aqui novamente, após a crise. Acontece que desde o dia 21 de março tenho pedido ajuda porque não estava mais suportando a instabilidade. E assim dei início a uma romaria… Estou insatisfeita com meu psiquiatra, que muda a dosagem dos meus medicamentos quando estou estável e fica fazendo piadinhas do tipo “vamos largar a mamadeira, bebê?”. Outras vezes se refere aos remédios como bengalas, diz que tenho que largar a bengala. Mas, céus, não posso largar a bengala enquanto meu pé está fraco e posso cair no chão, não é mesmo?

Estava com a dosagem mínima de antidepressivo e ansiolítico. Resultado: surtei, meti o carro numa pilastra, xinguei pessoas próximas, dei uns safanões numas pessoas que amo, fiquei com falta de ar, pânico e obsecada por arrumação em casa. Virei o monstro do pântano! Odeio ficar assim. Passei por um grande stress no dia 21 e por isso tudo de louco veio acontecendo depois. Normal…

Fui a uma terapeuta junguiana amiga da minha mãe. Ela foi de grande ajuda. E concorda comigo que meu psiquiatra está errado. Fui ao meu terapeuta cognitivo comportamental, ele não concorda com a junguiana mas acha que devo mudar sim se não estão funcionando as terapias. A juinguiana disse que não sou borderline. Que estou mais para bipolar. Bem, se for assim, estou com a medicação errada, mas com a terapia certa. Ainda sem saber o que fazer e sentindo um desconforto crescente continuei a jornada.

Tentei marcar uma neuropsiquiatra, mas a mulher é concorrida, não tem agenda antes de maio. Aí minha mãe me levou a um psicanalista. Ele disse que não preciso de rótulos, que meu terapeuta cognitivo comportamental é ruim e meu psiquiatra está certo! Imaginam como saí do consultório do cara? Tão confusa e mal que acabei indo direto para a emergência psiquiátrica de uma clínica.

Fui prontamente atendida por uma jovem médica que mal dava para acreditar que fosse mesmo uma psiquiatra verdadeira. Será que eu estava alucinando? Só sei de uma coisa: a doutora foi ótima! Contei a ela minha romaria, que eu estava de porta em porta pedindo socorro e que eu me sentia como se estivesse com a perna quebrada e as pessoas me dizendo para não me preocupar porque não precisava engessar ou tomar um anti-inflamatório porque eu devia me esforçar e parar de sentir dor. Quanto abandono… Ela me ouviu. Disse que era difícil mesmo fechar um diagnóstico. Mas aumentou as doses do meu antidepressivo e do ansiolítico. Estou me sentindo tão melhor que voltei a escrever aqui, vejam só!

De porta em porta fui diagnosticada com várias coisas diferentes, negligenciada, fiquei mais confusa e precisei parar na emergência. A médica disse que a minha cidade é a segunda pior em atendimento psiquiátrico no país, tendo em conta apenas as capitais. Senti isso na pele!