A depressão é como um cafajeste

Chegou  sem avisar, se instalou em minha cama e utilizou todos os cômodos de minha casa. Dormiu comigo, fez tudo o que teve vontade, suplantou os meus desejos e me deixou completamente envolvida. Me iludiu, fez com que eu acreditasse que ficaria comigo para sempre ou que morreríamos em algum pacto secreto. Mas foi embora, do mesmo modo que veio, sem avisar, sem deixar recado, nem mesmo um telefone de contato!

Ora essa maldita! Ainda bem que diferente de um cafajeste, não me deixou saudade!

E vamos de volta à normalidade!!!! Estou escalando o poço! Louvados sejam meus esforços e as contribuições de força que recebo por aqui!

Como é a sensação?

A cabeça pesa. O pensamento vaga. A vontade é de que aconteça alguma coisa, nem que seja uma catástrofe, pra agitar um pouco a vida. A sensação é de estar parada, no centro de um furacão. Tudo gira em volta, todos parecem bem, todos estão felizes, tudo acontece, mas eu no centro, fico paralisada.

Medo, desgosto, desânimo. Falta de vontade. Falta vontade de levantar, de sair de casa, de tomar banho. Até de comer. Cozinhar então, nem se fala. Falta vontade de muita coisa, menos de fazer coisas que não demandem muito esforço como ficar deitada na cama com o laptop na barriga, vendo o que acontece no mundo e até mesmo escrevendo por aqui.

Ver televisão é possível, mas às vezes o sono interrompe no meio alguma coisa que estava até interessante. Ontem não consegui ver o final do especial sobre a Islândia no NatGeo, apesar da curiosidade. Apaguei… Começo a ler, paro. Começo a navegar, paro. Tomo uma água para não desidratar, mas a vontade de fazer xixi é desanimadora. Mesmo assim, faço um esforço danado e vou ao banheiro. Se pudesse, usava fraldas.

Choro, nem sei porque. Mas choro. Depois paro de chorar. Penso. Penso no que pode estar errado, no que está certo, no que não pensei ainda. Me preocupo, com tudo e com todos. Vejo mais televisão. Será que o mundo vai acabar? Até que não seria mau. China treme, Chile também, Islândia se derrete, meteoritos caem do céu, o Rio se desmancha, o Haiti foi pro beleléu… E a minha cama parece a caverna de Hades. Sombria, úmida, um local de onde não se pode sair.

É isso, minha gente! Pra quem tem curiosidade de saber como é estar deprimido, fiz o meu melhor para descrever…

Hipnose e Terapia

Olá querid@s!!!

Estou melhor a cada dia. Continuo com a terapia medicamentosa e as sessões de conversa com o psicólogo cognitivo comportamental. E além de tudo isso estou experimentando sessões de hipnose com a terapeuta junguiana, já tinha comentado sobre ela anteriormente.

Gente, que maravilha! Como funciona! Além de me deixar profundamente relaxada, abre canais para eu compreender algumas coisas, me traz visões interessantíssimas e resolve a minha ansiedade gigante como em um passe de mágica!

Eu recomendo!!! Mas tem que confiar, senão nem adianta. Trava tudo! Fiz 3 sessões. Na primeira babei, na segunda viajei e na terceira além de fazer movimentos involuntários fiquei com a boca seca e uma sensação deliciosa por dentro!!!

É isso aí. Estamos aqui para o que der e vier!

Vento, vento, vento, vento…

Um vento derrubou minha tenda. Não no sentido figurado… Comprei uma tenda bem bonita ontem, mas a ventania não a deixou ficar de pé.

Curiosamente eu também estou com dificuldade de me manter de pé hoje.

Coisas da vida.

Não sei o que é… A casa caiu também, conflitos familiares que não dizem respeito diretamente a mim, mas que me atingem em cheio. Tomei providências. Isso dói.

Vejo as coisas do mundo e não posso deixar de fazer minhas analogias. Muito embora reconheça que as analogias muitas vezes são ineficientes. Fico por aqui hoje. Torcendo por menos vento. Ou por uma ventania daquelas. Nunca se sabe o que é melhor!

O sol brilha como a sertralina!

Estou aqui, de manhã cedo, com a mente livre do temporal que me atordoava até ontem. Ironicamente o clima da cidade me acompanha nessa mudança. A tempestade de ontem repleta de nuvens cinza-escuras deu lugar a um céu azul, limpo com um sol brilhante!

Sei que alguns podem ficar preocupados com o andamento do meu tratamento, afinal de contas se eu sou mesmo bipolar o uso de antidepressivos não é o recomendado. Mas afirmo com segurança que não estou nem perto de uma virada maníaca. Não descarto que daqui a alguns dias isso possa de fato ocorrer. Mas como eu já havia passado bons bocados com 150 mg de sertralina no passado, creio que estarei em equilíbrio enquanto a medicação ajudar. Estou ainda em 100 mg. Mas não vim aqui hoje falar de dosagens.

A psiquiatra que me atendeu por último e me salvou de um martírio que me acompanharia no feriado da semana santa disse que se eu continuar respondendo bem ao uso de antidepressivo com ansiolítico (tomo também olcadil), provavelmente meu diagnóstico seria o de depressão mista com transtorno de ansiedade. Agora que o remédio me trouxe os raios de sol nem me importo mais tanto com os rótulos tão enfatizados na postagem anterior.

Penso que talvez o psicanalista que me atendeu na quarta-feira passada e iria me ajudar apenas na segunda-feira (ontem) queria que eu experimentasse a expiação de Cristo no calvário e todas as coisas relacionadas à sexta-feira da paixão, ao sábado de aleluia com poucas chances de ressureição no domingo de páscoa. Ainda bem que uma estrela brilhou e me guiou até a Clínica Ser e eu pude me livrar da cruz que andava carregando!

Nos vemos por aqui então! Abraços de luz!

Lady Borderline

Para que servem os rótulos?

Minha crescente vontade de ler e escrever me prova que eu estava certa: precisava aumentar a dosagem dos meus remédios. Quando se trata de saúde mental os médicos podem ser bastante confusos, aliás, não só os médicos, todos os envolvidos conosco.

Qual a dificuldade em prescrever medicação a uma pessoa que está sentindo de fato os efeitos neuroquímicos de uma desordem psiquiátrica? Como eu já havia feito na postagem anterior, uma simples analogia faz com que possamos perceber o absurdo a que fui submetida nos últimos dias. Nenhum ser em sã consciência vai atender uma pessoa com febre e dizer que ela deve ir para casa e esperar até a semana que vem para ver se precisa realmente de uma medicação. Oras… Mesmo sabendo que febre é um sintoma, antes que a pessoa tenha um colapso, vão receitar um antipirético. Certo? Ok, eu também estava com um sintoma. Um não, vários. E eu deveria passar dias com insônia, irritabilidade, pensamento acelerado e confuso, oscilações de todas as naturezas, para depois fazer um check up e tentar descobrir as causas do meu sofrimento?

Ca%¨&¨$%#lho… Desde 2001 venho tentando descobrir as causas. Não sei o que tenho. Posso até lançar uma enquete, talvez o pessoal que lê esse blog consiga dar um diagnóstico melhor do que os que me atendem ao vivo e em cores. Vejam as opções:

a) tenho transtorno de personalidade borderline

b) tenho transtorno afetivo bipolar

c) tenho transtorno de ansiedade com depressão mista

d) tenho outra coisa que ninguém ainda descobriu

e) tenho todas as anteriores, em comorbidade

f) não tenho nada e apenas estou em busca de um rótulo.

O psicanalista que me atendeu falou que meu grande problema é que eu estou em busca de um rótulo… Minha justificativa para ele foi que a depender do problema o tratamento vai variar, não é mesmo pessoal? Para que servem os rótulos? Justamente para isso, para sabermos do que se trata, para podermos enfrentar a coisa que tem um nome, uma definição, um tratamento adequado, uma medicação a ser prescrita ou nenhuma medicação que faça efeito. Por que é tão importante sabermos os diagnósticos dos males físicos e não é importante sabermos os diagnósticos dos problemas de ordem psicológica ou emocional? É por causa do preconceito ou da pouca experiência dos profissionais da área que ficam com receio de errar?

Enfim… Segue mais um desabafo e a notícia de que estou melhor.

Continuo em busca do rótulo. Mesmo porque não me arriscaria a beber o conteúdo de uma garrafa que viesse sem rótulo à minha mesa. Vocês se arriscariam?

de porta em porta…

Estou aqui novamente, após a crise. Acontece que desde o dia 21 de março tenho pedido ajuda porque não estava mais suportando a instabilidade. E assim dei início a uma romaria… Estou insatisfeita com meu psiquiatra, que muda a dosagem dos meus medicamentos quando estou estável e fica fazendo piadinhas do tipo “vamos largar a mamadeira, bebê?”. Outras vezes se refere aos remédios como bengalas, diz que tenho que largar a bengala. Mas, céus, não posso largar a bengala enquanto meu pé está fraco e posso cair no chão, não é mesmo?

Estava com a dosagem mínima de antidepressivo e ansiolítico. Resultado: surtei, meti o carro numa pilastra, xinguei pessoas próximas, dei uns safanões numas pessoas que amo, fiquei com falta de ar, pânico e obsecada por arrumação em casa. Virei o monstro do pântano! Odeio ficar assim. Passei por um grande stress no dia 21 e por isso tudo de louco veio acontecendo depois. Normal…

Fui a uma terapeuta junguiana amiga da minha mãe. Ela foi de grande ajuda. E concorda comigo que meu psiquiatra está errado. Fui ao meu terapeuta cognitivo comportamental, ele não concorda com a junguiana mas acha que devo mudar sim se não estão funcionando as terapias. A juinguiana disse que não sou borderline. Que estou mais para bipolar. Bem, se for assim, estou com a medicação errada, mas com a terapia certa. Ainda sem saber o que fazer e sentindo um desconforto crescente continuei a jornada.

Tentei marcar uma neuropsiquiatra, mas a mulher é concorrida, não tem agenda antes de maio. Aí minha mãe me levou a um psicanalista. Ele disse que não preciso de rótulos, que meu terapeuta cognitivo comportamental é ruim e meu psiquiatra está certo! Imaginam como saí do consultório do cara? Tão confusa e mal que acabei indo direto para a emergência psiquiátrica de uma clínica.

Fui prontamente atendida por uma jovem médica que mal dava para acreditar que fosse mesmo uma psiquiatra verdadeira. Será que eu estava alucinando? Só sei de uma coisa: a doutora foi ótima! Contei a ela minha romaria, que eu estava de porta em porta pedindo socorro e que eu me sentia como se estivesse com a perna quebrada e as pessoas me dizendo para não me preocupar porque não precisava engessar ou tomar um anti-inflamatório porque eu devia me esforçar e parar de sentir dor. Quanto abandono… Ela me ouviu. Disse que era difícil mesmo fechar um diagnóstico. Mas aumentou as doses do meu antidepressivo e do ansiolítico. Estou me sentindo tão melhor que voltei a escrever aqui, vejam só!

De porta em porta fui diagnosticada com várias coisas diferentes, negligenciada, fiquei mais confusa e precisei parar na emergência. A médica disse que a minha cidade é a segunda pior em atendimento psiquiátrico no país, tendo em conta apenas as capitais. Senti isso na pele!